O impacto dos videojogos no mundo real aos olhos do criador do GTA - Vodafone Future

O impacto dos videojogos no mundo real aos olhos do criador do GTA

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DAVE JONES

Programador de videojogos


Muitas crianças dos anos noventa aprenderam o que eram os lemingues (ou lemmings) com o videojogo criado por Mike Dailly e David Jones. Conheceram o mito (falso) do seu suicídio em massa popularizado pelas imagens (também falsas) de um documentário produzido pela Disney e vencedor de um óscar em 1959.

Não é estranho que o tenham descoberto desta forma, pois o jogo em questão – um clássico com plataformas com várias personagens, lemmings antropomorfos a tentarem salvar as suas vidas – foi um êxito absoluto. Bateu recordes de vendas e acumulou pontuações altíssimas nas revistas especializadas. Em 2017, 26 anos após o seu lançamento, o site Kotaku publicava que tinham sido vendidas mais de 20 milhões de unidades do jogo. No entanto, ainda há muita gente que continua a jogar o jogo original online nos simuladores que abundam na Internet.

A segunda grande criação de Jones e Dailly também lhes trouxe vários prémios, prestígio e, neste caso específico, uma boa dose de polémica. Isto porque o escocês é o autor de um dos títulos mais criticados por educadores, pais ou ativistas contra os videojogos, mas também um dos mais elogiados e vendidos de toda a história: a saga Grand Theft Auto. A controvérsia gerada pelo conteúdo violento ou moralmente discutível dos diferentes GTA é apenas comparável ao gigantesco volume de vendas da saga de Rockstar Games. Segundo um artigo da International Business Times, de abril de 2017, calcula-se que tenham sido vendidas mais de 250 milhões de unidades, tornando-o o quarto jogo mais bem-sucedido da história, apenas atrás das licenças de Mario, Pokemon e do histórico Tetris. O êxito do GTA em termos económicos foi tão avultado que o diário The Telegraph o descreveu como um dos produtos mais importantes em termos de exportações britânicas.

Com tamanho currículo, quando Dave Jones fala, os criadores, executivos e distribuidores de videojogos escutam, porque não há dúvidas de que ganhou o direito a que as suas opiniões sejam levadas em conta… O escocês acredita que a indústria se encontra atualmente num momento decisivo. Depois de décadas de evolução, assegura que os jogos podem dar um novo salto tecnológico graças à grande capacidade de computação dos computadores de última geração, apoiando-se na possibilidade de trabalhar na nuvem. E este é precisamente o setor de atividade da Cloudgine, a sua nova empresa adquirida este ano pela Epic Games, onde Jones ocupa o cargo de Diretor de Estratégia na Nuvem. Jones considera que o próximo passo será conquistar sensações hápticas – relacionadas com o tato – até conseguir que os videojogos, o mundo digital, modifiquem e interajam com o mundo real: “É o desafio técnico que realmente me interessa atualmente”, assegura o criador escocês.

Entrevista e edição: Iván F. Lobo, Noelia Nuñez, David Giraldo

Texto: José L. Álvarez Cedena

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